Vôo de um Beija-Flor

Entrou voando pela minha vida,
como um beija-flor.
Vôo rasante, reto, em flecha,
se situando no ar, poucos segundos,
para me dar vida ou morte.

A princípio me deu vida,
vida enfeitiçada, como a recebem
todos os que amam.
Vida de amor sem dor,
de amar sem falar,
de se dar sem nada pedir.

E embarquei neste suave canto,
pois era um beija-flor.
Não poderia ter medo,
beija-flor não maltrata
só dá amor...

Mas esse beija-flor era diferente.
Deu-me feitiço na minha alma,
deu-me amor nos meus dias.
E voou para longe...
para terras distantes
me tirando o ar que respirava,
o chão que pisava
e caí vertiginosamente,
como o seu mesmo vôo rasante,
cortante que levou tudo e lavou
essa mesma alma,
sem nada deixar:

Só o vôo rasante, lindo de um beija-flor
que nada prometera
que nada fizera
para amar ou amor.

E, foi-se embora de minha vida
até não sei quando,
até à terra do nunca,
onde um dia,
vão se encontrar
talvez para se amar.


Eda Carneiro da Rocha