Dize, Poeta,
da tua dor, do teu amor, da tua força,
da tua fraqueza!
Canta teus desamores,
teus amores,
Pede clemência às horas
que passam céleres, em tua vida!

Não perguntam nada!
Se estás bem, ou se morreste,
amando, como amas,
com esse coração dilacerado,
muitas vezes,
pelo que não tiveste,
pelo que não soubeste,
nesse cortejo que passa
sem deixar conhecer teu nome!

És anônimo, nesse teu mundo,
onde te escondes, com teus versos,
como se fossem a criação do nada!
Não fujas, Poeta!
Expõe ao mundo tuas palavras
loucas ou não!

Dá a esse mundo
essa insanidade profética
que só tu tens o direito de dizê-la,
pois és poeta, louco ou não,
mas cantas sempre, muitas vezes ,
todo o amor de uma vida
que o tempo apagou na distância,
em que te consomes nesse desvario
em que queres conjugar o verbo amar
sem a certeza de podê-lo dar!

Dá, Poeta!
Dá amor aos que precisam,.
contempla as estrelas que, no céu estão!
Brada, poeta , a tua dor, teu amor, tua insanidade!

Mas grita, poeta,
acabaste finalmente, realmente,
conhecendo o que te faltavas:
o " Amor"!..

Eda Carneiro da Rocha

 
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