Quem sou afinal
que me descortinei inteira para você?
Que não deixei uma linha para que lesses
na entrelinha.
E , no entanto sabes ler muito bem...
Guardas contigo avaramente
meus sentimentos tão sentidos
como esse suave lamento
desta triste melodia.

Entrei no meu ego
para esconder-me de mim mesma.
Acho que foi vergonha, nem sei.
Não queria mais que me visses
desta maneira,
de coração aberto,
contando com esperanças perdidas.
Com um passado que jamais voltará,
pois entrei em mim mesmo
qual ostra ferida
machucada na sua formação.
E fiquei quietinha
no escuro desta tão grande emoção.

Era um sentimento tão grande
que senti medo
que fosse descoberto
até por mim.
Aninhou-se no meu ego
com tamanha força e obstinência
que hoje carrego o peso deste lamento,
para que se cale um dia
no meu peito dorido
de amar e amor,
para ser curada
para ser liberta
do meu ego, um dia
desse tão grande amor!

Eda Carneiro da Rocha

 

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